Sermão 07

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General Conference Daily Bulletin, Vol. 5, p. 147
Sermão de A. T. Jones, 5 de fevereiro de 1893

Alguns questionaram, na última sexta à noite, se eu não estava sendo um pouco duro demais. Mas, após o irmão Porter haver lido dos Testemunhos, penso que todos irão concordar de que eu não estava. Irmãos, não quero que vocês pensem que estou inventando coisas pra dizer aqui, só porque falo a este grupo. Se estivesse pregando desde a noite de segunda-feira passada a um povo que nunca ouviu falar de um adventista do sétimo dia, nem mesmo da terceira mensagem angélica, iria pregar a eles exatamente o que preguei a vocês, porque não sei o que mais pregar agora a não ser a terceira mensagem angélica. Não sei o que mais apresentar às pessoas, onde quer que eu pregue, a não ser trazê-los face a face com sua necessidade do poder de Deus. Portanto, ainda não estou dizendo nada a vocês que eu não diria a qualquer outra pessoa. Pode acontecer que após algum tempo eu lhes diga algo que não diria a outros, porque talvez alguns de nós estejamos fazendo coisas que outras pessoas não fariam, mas esta seria a única razão.

Agora vejamos novamente um resumo das lições que tivemos. Vimos que não há nada que vai nos suster neste momento, a não ser o poder de Deus. Vimos que nada vai nos satisfazer, nada vai nos bastar, senão o caráter de Deus. Descobrimos que, no assunto de recursos e negócios que têm que ver com esse mundo, não mais podemos depender de qualquer deles, mas apenas das coisas que Deus nos dá. Descobrimos que mesmo tratando-se da própria vida, não podemos mais contar com isso. A única coisa que vai nos bastar, a única coisa da qual podemos depender, a única coisa que atenderá a nossa demanda – a demanda do povo que agora permanecerá em pé em favor do Senhor ­– é aquela vida que é melhor do que essa – a vida que é eterna, a vida de Deus.

Então, em primeiro lugar, nada vai nos suster a não ser o poder de Deus. E onde encontramos o poder de Deus? Em Jesus Cristo. “Cristo, o poder de Deus e a sabedoria de Deus.” Isso é o que Ele é. Onde encontramos o caráter de Deus? Em Cristo. Onde encontramos todas as grandes coisas de Deus? Em Cristo. Onde encontramos uma vida que é melhor do que essa? Na vida de Deus, em Cristo.

Portanto, que outra coisa na terra podemos pregar ao mundo, senão Cristo? De quem podemos depender a não ser de Cristo? Então o que é a terceira mensagem angélica senão Cristo? Cristo, o poder de Deus; Cristo, as riquezas insondáveis de Deus; Cristo, a justiça de Deus; Cristo, a vida de Deus; Cristo é Deus! Esta é a mensagem que agora devemos dar ao mundo, não é mesmo? Então, qual é a necessidade do mundo? Cristo. Eles precisam de algo mais? Não. Por acaso existe algo mais? Não. “Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade, e nele estais completos.”

Como eu acabei de dizer, se estivesse pregando a um povo que nunca ouviu nada sobre a mensagem do terceiro anjo, se tivesse pregando a eles desde a noite de segunda-feira, iria pregar exatamente como o fiz, e os colocaria face a face com Jesus Cristo, assim como nos colocamos. E, a propósito, há uma congregação inteira de descrentes que se encontram exatamente nessa posição, esperando para me convidar a falar-lhes na próxima vez, e isso é o que devo lhes dizer. Uma congregação inteira – que não professa ser nada além de infiéis – já me deu a oportunidade de falar a eles por três vezes, e eu falei sobre essas coisas exatamente como elas são, diante de todos eles; e eles já me perguntaram: “Que faremos?” E um deles disse: “Bem, ele nos disse todas essas coisas e tudo é muito claro, mas não nos disse o que fazer.” “Bem,” disse eu, “não tive tempo, essa noite, de lhes dizer o que fazer. Concedam-me uma chance, e eu lhes direi o que fazer.” Eles disseram: “está bem” e eu vou fazê-lo.

Quando o momento chegar, proponho dizer-lhes exatamente o que fazer. Proponho-me a colocar diante deles o que expus diante de vocês, isto é, que se eles forem se opor a esse movimento de Igreja e Estado, têm que abandonar todas as formas de dependência terrena, abandonar todos os pensamentos acerca de riquezas ou posses ou qualquer coisa do tipo, e também todas as ideias ou considerações acerca da vida. E eles conseguem ver isso. Então irei dizer-lhes que não conseguirão fazê-lo a menos que tenham algo melhor, e a única coisa melhor do que isso é Jesus Cristo; e eles precisam tê-Lo, ou então não poderão subsistir. Vejam só, irmãos, o mundo está pronto para ouvir a mensagem, quando nós tivermos a mensagem; o mundo está pronto para ouvi-la e eles a ouvirão.

Então, Cristo, o poder de Deus; Cristo, a sabedoria de Deus; Cristo, as riquezas insondáveis de Deus; e Cristo, a vida de Deus. É isso que devemos pregar. Assim, qual é o resumo de tudo isso? Que coisa o expressa? O Evangelho. E o que constitui pregar o Evangelho? Significa pregar o mistério de Deus, que é Cristo nos homens, a esperança da glória. Então o que é que Deus nos deu a nós para darmos ao mundo, senão “o Evangelho eterno para pregar a toda tribo, nação, língua e povo?” Apocalipse 14:6. Não é lá que a mensagem começa? E então, quando as pessoas não recebem o Evangelho eterno, nem adoram Aquele que fez os céus e a terra, o mar e as fontes das águas, a quem eles adoram? A besta e a sua imagem. “Caiu, caiu Babilônia;” e então a terceira mensagem angélica diz que eles vão adorar a besta e a sua imagem. De modo que, dessa forma, ou as pessoas adoram a besta e a sua imagem, ou então elas irão adorar a Deus. Simples assim. De acordo com a mensagem como ela é, e o momento em que nos encontramos, a única coisa que as pessoas desse mundo podem adorar é, ou Aquele que fez os céus e a terra, o mar e as fontes das águas, ou então a besta e a sua imagem; não há um meio termo. Essas três mensagens são simplesmente uma única mensagem tripla. Nos Testemunhos Especiais [Special Testemonies], num endereçado “Para os Irmãos em Posições de Responsabilidade,” lemos na página 15:

“Enquanto vocês seguram a bandeira da verdade firmemente, proclamando a lei de Deus, que cada alma se lembre de que a fé de Jesus está conectada com os mandamentos de Deus. O terceiro anjo é representado como voando pelo meio do céu, simbolizando a obra daqueles que proclamaram a primeira, segunda e terceira mensagem angélica; todas estão ligadas entre si.” Assim, a coisa que representa o início, a coisa mais importante, aquilo que abrange a todas essas mensagens é o evangelho eterno. Já nos referimos por uma ou duas vezes à Igreja Judaica como ilustrando a situação em que nos encontramos. Descobrimos aí que aquela igreja virou as costas para Deus e se juntou a César, a fim de lançar fora a Cristo, e fazer com Ele como quisessem. Então o Senhor chamou para que saíssem daquela igreja e nação todos os que Lhe obedecessem, todos que Lhe servissem, e isso antes da nação ser destruída. Ele fez esta obra por intermédio daqueles poucos discípulos que creram em Jesus quando Ele subiu ao céu. Haviam estado com Jesus durante três anos e meio; haviam pregado. Haviam até feito milagres em Seu nome. Ele os tinha enviado a pregar, dizendo: “o reino dos céus está próximo”, e tão importante era sua mensagem que, se o local onde estivessem indo não os recebesse, deviam sacudir a poeira dos pés antes de partirem.

No entanto, antes que pudessem pregar o evangelho que Ele lhes deu para pregar, ao ascender ao céu, disse-lhes: “permanecei em Jerusalém até que do alto sejais revestidos de poder”. Não podemos imaginar que o fato de estarem por três anos e meio com Cristo, ouvindo-O, amando-O, aprendendo dEle e com Ele,  tendo sido ensinados por Ele durante esse período, e, até mesmo havendo pregado – não poderíamos, por esses fatos, naturalmente supor que eles se encontravam preparados para levar o evangelho ao mundo? Não, disse Ele, “permanecei em Jerusalém.” “Eis que envio sobre vós a promessa de meu pai; permanecei, pois, na cidade até que do alto sejais revestidos de poder.” Lucas 24:49.

Que quantidade de poder estava recrutada contra eles e contra a mensagem que deveriam pregar? Todo o poder do mundo. Isso se deu porque a igreja de Deus, a professa igreja de Deus, isto é, toda aquela nação, se havia unido a César, cujo poder enchia o mundo. Todo o poder do mundo se havia aliado contra eles. A professa igreja e nação de Deus se havia aliado aos poderes e se colocou em ordem para batalhar contra Deus e contra o nome de Cristo. Contudo, era este Cristo, a quem haviam crucificado e feito o máximo possível para eliminar do mundo e da mente dos homens – ao qual deviam Seus discípulos ir e pregar desse nome, dEle mesmo, e anunciar que unicamente a fé nEle poderia salvá-los. E eles tinham que pregar tudo isso enfrentando todo o poder que o mundo conhecia.

Bem, não muito tempo antes disso, apenas cerca de doze dias, ou, quem sabe, duas semanas antes de Jesus lhes haver dito isso, Pedro ficou com medo daquela moça e negou que conhecia a Cristo. Havia uma garota que começou a dizer: “Eu vi você com aquele Galileu.” “Não, você não viu. Eu não o conheço.” Ele chegou mais perto do fogo e ela pôde vê-lo melhor, e disse: “você é um deles.” “Não, eu não sou. Eu nunca o conheci.” E então, para poder provar isso, começou a amaldiçoar e a jurar. Será que ele estava preparado para enfrentar todo o poder do mundo? Não. Antes de poder encarar o mundo, ele precisava possuir uma vida tal, possuir algo tão suficiente, que uma garota não pudesse assustá-lo. Não é verdade? E Jesus avisou a todos eles, ao dizer: “Essa noite, todos vocês se escandalizarão comigo e fugirão.” “Não, faremos isso,” disseram eles todos; e Pedro disse: “ainda que todos o abandonem, eu não o abandonarei.” E Jesus lhe disse: “Pedro, antes do galo cantar, você me negará três vezes.” “Ainda que eu venha a morrer o Senhor, não lhe negarei.” “E assim disseram todos.” Mas eles o abandonaram, não é mesmo? Mateus 26:31-35.

Assim, quanto ao que se refere a eles e a sua obra, bem como aos poderes que iriam opor-se a ela, nos encontramos exatamente na mesma situação que eles, quando Jesus ascendeu ao céu. Encontramo-nos exatamente na mesma situação onde todos os poderes da terra estão aliados contra a mensagem que devemos dar ao mundo, e por causa disso, precisamos, assim como eles, ser revestidos com poder do alto. Portanto, literalmente, nos encontramos na mesma posição que eles estavam quando Jesus subiu ao céu e lhes ordenou esperar até que recebessem poder.

Assim, ao subir, Ele disse-lhes, segundo está registrado em Atos 1:8: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo.” Então o que deveriam eles esperar? O Espírito Santo. E o que Ele lhes traria? Poder. O que os revestiria de poder? O Espírito Santo. Ora, não preciso ler novamente para vocês as citações dos Testemunhos Especiais e do livro Obreiros Evangélicos, lidas aqui pelo irmão Prescott, que falam acerca dessas mesmas coisas; de como a palavra do Senhor nos diz que devemos fazer agora a mesma coisa que os discípulos estavam fazendo. De como deveríamos nos reunir em grupos para orar pelo Espírito Santo, e de como foram necessários dez dias de buscar a Deus para levá-los à posição onde poderiam oferecer orações eficazes e receber aquilo que pediam, pois pediam naquela fé duradoura, que recebe o que pede.

Também não preciso ler novamente aquelas passagens que li dos Testemunhos em manuscrito, de que quando o povo de Deus, individualmente, buscar Seu Espírito Santo de todo o coração, ouvir-se-á de lábios humanos aquele Testemunho que cumpre o seguinte: “Vi descer do céu outro anjo, que tinha grande autoridade, e a terra se iluminou com a sua glória,” e “orações estão subindo diariamente em favor do cumprimento desta promessa” de sermos revestidos de poder. Assim temos a Palavra do Senhor de que orações estão subindo diariamente. Será que as suas estão entre elas? Será que as minhas estão entre elas? Virá o dia quando a última oração necessária para trazer a benção terá subido. Então o que vai acontecer? A bênção virá. O dilúvio vai romper e o Espírito Santo será torrencialmente derramado, o dia do Pentecoste. Agora note: a frase diz, à medida que “orações estão subindo diariamente a Deus” por esta promessa, “nenhuma dessas orações, oferecidas em fé, é perdida.” Ali está a benção dessa promessa, percebeu? Sim, quando Deus nos ordena orarmos por alguma coisa, então, isso abre a porta de forma bem ampla para orarmos por essa coisa com a mais perfeita confiança de que a receberemos. Quando Ele nos ordena orarmos por algo, isso escancara as portas, e não existe nada que impeça essa oração de encontrar lá o seu lugar. O que Ele nos diz? Que nenhuma dessas orações, oferecidas em fé, é perdida.

Então, um dia desses, a última oração chegará lá e a benção será derramada. Quem a receberá? Aqueles que oraram a Deus por ela. Não faz mínima diferença se a pessoa se encontra no coração da África e o derramamento acontece aqui em Battle Creek; ela vai recebê-la, porque, mediante nossas orações, um canal é aberto entre nós e a fonte da benção, e enquanto mantivermos o canal aberto, mediante nossas orações, quando o Espírito for derramado, seguramente alcançará o lugar de onde se originaram as orações, pois o canal está aberto.

Então, irmãos, quando tudo ao nosso redor nos mostra a necessidade de orarmos em favor disso, será que seria necessário um incentivo ainda maior? Seria possível haver um incentivo maior para oferecermos essas orações de todo o coração e em perfeita confiança?

Há um trecho no livro Gospel Workers [1892] que quero ler, que fala claramente acerca desta questão, na página 370 e 371. Falando sobre os apóstolos, diz assim:

“Eles aguardavam em expectação pelo cumprimento de Sua promessa, e oravam com especial fervor. Este é exatamente o curso que deve ser seguido por aqueles que desempenham um papel na obra de proclamar a vinda do Senhor nas nuvens do céu; pois é preciso que seja preparado um povo para permanecer em pé no grande dia de Deus. Embora Cristo lhes houvesse dado a promessa de que receberiam o Espírito Santo, isso não removeu a necessidade de oração.”

Claro que não. Isso abriu o caminho para a oração. Quando Deus não promete uma coisa, será que estou livre para orar por ela? Não, pois devemos pedir de acordo com a Sua vontade. Porém, quando Deus prometeu algo, será que devo fazer outra coisa a não ser orar? É essa a beleza disso.

“Todos eles oraram intensamente. Perseveraram em oração de comum acordo. Aqueles que agora estão ligados à solene obra de preparar um povo para a vinda do Senhor, também devem perseverar em oração. Os primeiros discípulos estavam de comum acordo. Não tinham especulações, e nenhuma teoria estranha a promover sobre como a benção deveria vir.”

Mas a ideia que eu quero ressaltar é esta: “Não tinham especulações, e nenhuma teoria estranha a promover sobre como a benção deveria vir.” Isso se aplica agora a nós. Não devemos ter nenhuma teoria estranha para detalhar como a benção virá. Se alguém começar a dizer: “Ah! Ela virá como no dia de Pentecoste. Como o som de um forte vento tempestuoso, e será assim e assim… As línguas de fogo vão parecer assim, etc., etc,” e, então, ter por estabelecido e dizer: “É assim que ela virá da próxima vez, portanto eu saberei quando ela virá,” aquele que avalia esse assunto dessa forma nunca receberá a benção. O que eles precisavam era preparar o coração perante Deus, e não é da nossa conta como o Senhor irá cumprir Sua promessa. Ele não pede que lhe prescrevamos, dizendo: “O Espírito Santo precisa vir da seguinte forma; caso contrário, não será o Espírito Santo.” Portanto, se você já teve qualquer teoria acerca disso, elimine essa teoria nessa noite, e mantenha-a aniquilada para sempre. Não temos nenhum direito de fixar em nossa mente o modo pelo qual Deus agirá. Era essa a situação em que eles se encontravam; é essa a situação em que nos encontramos. E, irmãos, tão certo como a promessa a eles foi cumprida, tão certo que agora se cumprirá aos que estão orando pela mesma coisa. Não sabemos quanto tempo isso irá levar.

Outra coisa  – eles deviam pregar. Pregar o que? O Evangelho. E, vez após vez, Paulo define o Evangelho como sendo o mistério de Deus que havia sido escondido das eras e das gerações, e agora se manifestou a Seus santos. Eles pregaram esse Evangelho, esse mistério de Deus, e o que é ele? “Cristo em vós, a esperança da glória”; “Cristo, o poder de Deus e a sabedoria de Deus”; “As riquezas insondáveis de Deus.” “Cristo e Ele crucificado.” É isso e nada mais.

E Paulo o definiu no capítulo seis de 2 Coríntios, vocês se lembram, “como nada tendo, mas possuindo tudo.” Verso 10. Vocês conseguem ver a pobre e infeliz condição da pessoa que se apega às coisas que ela tem em sua mão nesse mundo? Vocês conseguem ver a pobre e infeliz condição do Adventista do Sétimo dia que agora se apega ao que ele tem nesse mundo? Ele precisa de muito mais do que ele tem, caso contrário, jamais poderá atravessar o tempo de angústia. Mas quando nos desprendermos de tudo e considerarmos a nós mesmos como nada tendo, que acontece? O que teremos então? “Tudo.” Então eles não poderão tirar nada de nós. Do povo que está nessa condição, nada se pode tirar, não é verdade? [Congregação: “Sim.”] Com certeza. Eles não podem tirar de nós o poder, podem? Eles não podem tirar de nós o caráter. Não podem tirar de nós nossas riquezas. E não podem nos tirar a vida, pois Cristo é nossa vida, e eles não podem tirá-Lo de nós. Assim quando nos achamos nessa posição, temos a vitória sobre o mundo e seu poder, e isso é só pra começar.

Agora um outro ponto conectado com isso: “Nada tendo, mas possuindo tudo; pobres, mas enriquecendo a muitos.” Essa é nossa obra no mundo, enriquecer as pessoas. Da mesma forma que Jesus se tornou pobre para que pudéssemos nos enriquecer, devemos nos tornar pobres para que muitos outros se tornem ricos. Assim, quando temos a Cristo e somente a Cristo, nada além das riquezas insondáveis de Cristo, podemos enriquecer a todos que se dispuserem a receber o dom gratuito dessas riquezas.

Eles pregaram o mistério de Deus – “Cristo em vós, a esperança da glória.” Mas um outro mistério apareceu. Começou a surgir enquanto eles ainda estavam pregando. O mistério que eles deviam pregar “estava oculto dos séculos e das gerações;” porém, agora havia se manifestado no mundo como nunca dantes. Mas enquanto pregavam esse mistério, um outro mistério entrou em atividade, o mistério da iniquidade que apareceu, e ocultou o mistério de Deus mais uma vez. Após a morte dos apóstolos este mistério da iniquidade se levantou e se espalhou pelo mundo e de novo ocultou o mistério de Deus dos séculos e das gerações. Não é mesmo? Mas ao chegarmos no capítulo 10 do Apocalipse, encontramos ali um anjo, sendo representado como tendo um pé sobre o mar e outro sobre a terra, dizendo em grande voz: “E jurou por aquele que vive para todo o sempre, o mesmo que criou os céus e as coisas que neles há, a terra e as coisas que nela há, o mar e as coisas que nele há, de que já não haveria mais tempo. Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele começar a tocar, o mistério de Deus seria completado.”

Eu estive pensando ultimamente se não foi proposital do verso dizer assim: que o mistério de Deus seria completado, em vez de se completará. Ele devia ter se completado há muito tempo atrás. Os Testemunhos já nos disseram isso. Mas mediante nossa lentidão, nossa preguiça, nossa demora em acreditar em Deus, ele não está completo. Contudo ele diz que ele seria completado. Agora, graças a Deus que ele realmente se completará. Se Ele falasse isso agora, diria: “Será” [completado], é claro. Mas o ponto é o seguinte: quando a voz do sétimo anjo começar a soar, o mistério de Deus é revelado ao mundo. E o que é esse mistério? “Cristo em vós, a esperança da glória.” Esse é o evangelho eterno. Essa é a terceira mensagem angélica. Então, você percebe como Deus determinou que a terceira mensagem angélica, o mistério de Deus, triunfe sobre o mistério da iniquidade, e que tão certo quanto o mistério da iniquidade chamou a atenção do mundo, e atraiu para si o olhar das nações e a admiração dos homens, tão seguramente o mistério de Deus atrairá a atenção das nações e a admiração dos homens? Ele o fará.

Agora vamos ao livro de Joel e leiamos novamente o segundo capítulo. Há alguns pontos que precisamos estudar. A primeira parte do capítulo, você deve se lembrar, até o verso 12, sem incluir o 12, é uma descrição da vinda do Senhor. Se você ler aquele Testemunho [Para a Igreja, Vol. 1 página 180] que nos conta sobre “A Sacudidura”, verá que esse capítulo é dado pelo Espírito do Senhor como a referência no qual essa ideia se baseia. Ele se aplica ao tempo da sacudidura, e a sacudidura prepara para o alto clamor.

“Tocai a trombeta em Sião e dai voz de rebate no meu santo monte; perturbem-se todos os moradores da terra, porque o Dia do SENHOR vem, já está próximo; dia de escuridade e densas trevas, dia de nuvens e negridão! Como a alva por sobre os montes, assim se difunde um povo grande e poderoso, qual desde o tempo antigo nunca houve, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração. À frente dele vai fogo devorador, atrás, chama que abrasa; diante dele, a terra é como o jardim do Éden; mas, atrás dele, um deserto assolado. Nada lhe escapa. A sua aparência é como a de cavalos; e, como cavaleiros, assim correm. Estrondeando como carros, vêm, saltando pelos cimos dos montes, crepitando como chamas de fogo que devoram o restolho, como um povo poderoso posto em ordem de combate. Diante deles, tremem os povos; todos os rostos empalidecem. Correm como valentes; como homens de guerra, sobem muros; e cada um vai no seu caminho e não se desvia da sua fileira. Não empurram uns aos outros; cada um segue o seu rumo; arremetem contra lanças e não se detêm no seu caminho. Assaltam a cidade, correm pelos muros, sobem às casas; pelas janelas entram como ladrão. Diante deles, treme a terra, e os céus se abalam; o sol e a lua se escurecem, e as estrelas retiram o seu resplendor. O SENHOR levanta a voz diante do seu exército; porque muitíssimo grande é o seu arraial; porque é poderoso quem executa as suas ordens; sim, grande é o Dia do SENHOR e mui terrível! Quem o poderá suportar?” O paralelo disso encontra-se em Apocalipse 19:11-18.

“Ainda assim, agora mesmo, diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto.  Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal. Quem sabe se não se voltará, e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, uma oferta de manjares e libação para o SENHOR, vosso Deus?”

Quem aqui sabe se, quando uma pessoa busca o Senhor de todo o coração, Ele se voltará e deixará após si uma benção? Se sabemos que Ele o fará, então façamos isso. Ele o cumprirá, e não há nada que nos possa impedir de buscá-lo de todo o coração, porque sabemos que Ele dará a benção. Então vamos recebê-la.

“Tocai a trombeta em Sião, promulgai um santo jejum, proclamai uma assembleia solene. Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, reuni os filhinhos e os que mamam; saia o noivo da sua recâmara, e a noiva, do seu aposento.”

Quantas pessoas em Sião estão incluídas nisso? O povo, a congregação, as crianças, os anciãos, os que mamam, os noivos e as noivas. Quantos estão sendo aqui convocados? [Congregação: “Todos.”] Sim, todos. E o que isso nos convoca a fazer? A buscar o Senhor de todo o coração. Então façamos isso também. Estamos nesse exato tempo.

“Chorem os sacerdotes, ministros do SENHOR, entre o pórtico e o altar, e orem: Poupa o teu povo, ó SENHOR, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que as nações façam escárnio dele. Por que hão de dizer entre os povos: Onde está o seu Deus?”

Porventura os ímpios não tomaram as coisas em suas próprias mãos, propondo-se a reinar sobre nós? E eles propõem-se a eliminar o Sábado do Senhor e a reinar sobre o mundo.

Tenho aqui algo que talvez seja bom que eu leia. Na página 17 do testemunho intitulado, “Aos Irmãos em Posições de Responsabilidade”, leio o seguinte: “O falso sábado será tornado obrigatório por uma lei opressiva. Satanás e seus anjos estão bem despertos e intensamente ativos, trabalhando com energia e perseverança por meio de instrumentalidades humanas, para realizar seu propósito de extinguir o conhecimento de Deus.”

O Sábado é um sinal de que? De que Ele é o Senhor nosso Deus e que o Senhor santifica a Seu povo. Portanto, quando o sinal pelo qual Deus é conhecido pelo povo é por eles removido, eles removem a Ele do conhecimento do povo. É isso que eles estão buscando. E agora isso já aconteceu. Eu li anteriormente: “O memorial de Deus foi derribado, e, em seu lugar, um falso sábado é posto perante o mundo.” Todo o poder do mundo agora se une nesse negócio. Então eles propõem-se a eliminar do mundo o conhecimento de Deus. Portanto, devemos buscar o Senhor de todo o coração, a fim de que os ímpios não reinem sobre nós. Agora vejamos o que Deus irá fazer:

“Então, o SENHOR se mostrará zeloso da sua terra, compadecer-se-á do seu povo e, respondendo, lhe dirá: Eis que vos envio o cereal, e o vinho, e o óleo, e deles sereis fartos.”

O que Ele irá enviar? O que representa o “óleo”? “O óleo de alegria, em vez de pranto”, “A alegria do Espírito Santo.” O que representa o “vinho”? Jotão nos disse “O vinho que alegra o coração de Deus e dos homens.” Então Ele dará alegria. E o que representa o “cereal”? O trigo, o grão, de onde vem o pão que comemos, para dar sustento à vida e conceder força. Portanto, Ele também dará força. Oh! Então, agradeça a Deus. Ele vai nos enviar força, regozijo e alegria.

Mas a quem Ele os enviará? E quando Ele irá fazer isso? Quando o povo estiver ajuntado e a congregação reunida, com as crianças, os que mamam, os anciãos, os noivos, as noivas e os ministros – quando nós estivermos reunidos assim como diz no Testemunho: “em grupos”, buscando a Deus de todo o coração – é aí que Ele fará o que prometeu. Busquemos isso então como nunca dantes. É algo bom demais quando o Senhor garante que ficaremos satisfeitos com o que Ele nos dará. Não segundo a medição humana. Com que Deus estaria satisfeito de que ficássemos satisfeitos? Nada menos do que tudo o que Ele tem, pois Ele nos deu exatamente isso em Jesus Cristo e não quer que fiquemos aquém de tudo o que Ele tem. Assim como o irmão Haskell leu naquele maravilhoso testemunho, hoje de manhã – vocês lembram como foi uma benção – de que quando nos achegarmos como suplicantes, não tendo merecimentos próprios, então todas as coisas nos pertencem, por meio de uma eterna dádiva.

“E vos não entregarei mais ao opróbrio entre as nações. Mas o exército que vem do Norte, eu o removerei para longe de vós, lançá-lo-ei em uma terra seca e deserta; lançarei a sua vanguarda para o mar oriental, e a sua retaguarda, para o mar ocidental; subirá o seu mau cheiro, e subirá a sua podridão; porque ele fez grandes coisas.”

A leitura alternativa na margem desse verso [na Versão King James, a margem mostra uma alternativa de como o texto original pode ser traduzido] diz: “Ele se engrandeceu para fazer grandes coisas.” Quem é esse que “se engrandeceu para fazer grandes coisas?” Quem tem o poder do mundo em suas mãos? Satanás. É ele quem pensa que fará grandes coisas. Vejamos o que o Senhor vai fazer então.

“Não temas, ó terra, regozija-te e alegra-te, porque o SENHOR fará grandes coisas.”

Então irmãos, devemos ser o povo mais feliz do mundo pelo fato de que Satanás tenha que fazer grandes coisas; pois é inevitável de que quando Satanás tenta fazer grandes coisas, Deus fará coisas ainda maiores, de modo que Satanás precisa se esforçar para manter seu crédito. Mas ainda assim ele não pode manter seu crédito, embora tenha se vangloriado perante o  mundo e as nações de que todo o poder lhe pertence. Seu caso fica tão irremediável que ele próprio terá que vir pessoalmente. Mas podemos nos alegrar mais do que nunca porque Jesus vem pessoalmente. Mas quando é que o Senhor fará grandes coisas? Quando esse ser, Satanás, se engrandecer para fazer grandes coisas.

“Não temais, animais do campo, porque os pastos do deserto reverdecerão, porque o arvoredo dará o seu fruto, a figueira e a vide produzirão com vigor. Alegrai-vos, pois, filhos de Sião, regozijai-vos no SENHOR, vosso Deus!”

Para que ficarmos desanimados? De que isso nos serviria? Faz algum sentido? Jesus disse: “Erguei as vossas cabeças! E aqui diz: “Alegrai-vos, … regozijai-vos.” E diz novamente. “Alegrai-vos, pois, filhos de Sião, regozijai-vos no Senhor, vosso Deus.” Então, vamos nos alegrar. Irmãos, só posso dizer-lhes que não sei como fazer outra coisa a não ser me alegrar, pois o Senhor me ordena fazê-lo. E essas palavras são tanto a palavra de Deus, quanto qualquer outra parte da Bíblia. O poder criador está tanto nessas palavras como nas outras para aqui introduzir a alegria e o regozijo; e isso constitui se alegrar e se regozijar no Senhor.

“Pois Ele vos deu a chuva temporã moderadamente, e fará descer sobre vós a chuva, a chuva temporã e a serôdia, como no primeiro mês”, ou, “como antes”, de acordo com outras versões.

O que aconteceu no Pentecoste foi algo moderado quando comparado com o que Deus fará? Sim. Ele deu a chuva temporã moderadamente.

Mas agora haverá um porção dobrada. Então se aquilo foi moderado, o que você acha que será agora? Não podemos nem imaginar o que foi aquilo. Deixem-me ler para vocês o que está escrito no volume 4 [dos Testemunhos para a Igreja], página 611:

“O movimento adventista de 1840-1844 foi uma gloriosa manifestação do poder de Deus e a primeira mensagem angélica foi levada a toda estação missionária no mundo, e em alguns países ouve o maior interesse religioso que foi testemunhado na região desde a Reforma do século dezesseis, mas estes serão grandemente excedidos pelo poderoso movimento sob a última advertência do terceiro anjo.”

Um outro testemunho, ainda não publicado, diz que isso virá de forma tão repentina como foi em 1844, e com “dez vezes mais poder”.

Acerca do Pentecoste, lemos, na mesma página, o seguinte: “as profecias que se cumpriram no derramamento da chuva temporã, na inauguração do Evangelho, devem novamente se cumprir na chuva serôdia, no término dele.”

Ora, vocês podem ver que existem profecias que pertencem apenas à chuva serôdia, mas as que pertencem a chuva temporã devem também se cumprir no recebimento da chuva serôdia. Dá para perceber que será uma porção dobrada.

“Aqui estão os tempos do refrigério aos quais o apóstolo Pedro aguardava quando disse: ‘arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados (no juízo investigativo), quando, da presença do Senhor, vierem os tempos do refrigério, e Ele vos enviar Jesus.”

Será que isso significa que nós iremos nos arrepender e ser convertidos? “Bem”, alguém poderá dizer, “eu me converti há 20 anos.” Sem problema; converta-se também agora. Eu me converti há cerca de 19 anos, mas isso não vale absolutamente nada se eu não for convertido agora. Não vale nada olhar lá para o passado. Alguém vai questionar assim: “você quer dizer que eu não fui convertido?” De jeito nenhum; não estou dizendo nada disso. Mas o que estou dizendo é que se você depender da sua conversão lá no passado, ela não tem valor algum. Se você não sabe mais como se arrepender, então somente receba a Jesus Cristo e você saberá. Qualquer pessoa que receber o Senhor Jesus Cristo é uma nova criatura.

“As eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de vinho e de óleo. Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador, pelo destruidor e pelo cortador, o meu grande exército que enviei contra vós outros. Comereis abundantemente, e vos fartareis, e louvareis o nome do SENHOR, vosso Deus, que se houve maravilhosamente convosco; e o meu povo jamais será envergonhado.”

Então louve ao Senhor. Eles irão nos acusar; nos chamarão de muitos nomes; nos considerarão como a escória e o lixo do mundo, e como os mais desprezíveis de todos. Mas Deus disse: “Meu povo jamais será envergonhado.” E é exatamente isso o que quer dizer. Contudo, isso não para aí. Ele diz novamente:

“Sabereis que estou no meio de Israel e que eu sou o SENHOR, vosso Deus, e não há outro; e o meu povo jamais será envergonhado.”

Olhem só, irmãos. Será que o Senhor precisa colocar algo mais nesse capítulo para nós? Olhem que encorajamento, que bênçãos, que promessas! E se foi necessário de que Ele repetisse que “jamais seremos envergonhados”, é evidente que o objetivo do mundo inteiro será nos envergonhar. Mas Deus garantiu com Sua palavra que isso não acontecerá, e nós jamais seremos envergonhados.

“E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões!”

Graças a Deus, Ele não ficará satisfeito por muito mais tempo com apenas um profeta! Haverá mais. Já fez uma maravilhosa obra com apenas um. Tendo feito uma grande obra com esse um, o que Ele fará no mundo quando tiver um monte deles?

“Até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.  Mostrarei prodígios no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, como o SENHOR prometeu; e nos remidos que o SENHOR chamar.”

Onde haverá o livramento? “Nos remidos que o Senhor chamar.” Mas contra quem Satanás está guerreando? Contra os remidos. Contra quem Satanás ajuntou todos os poderes da terra? Contra os remidos. Para onde está ele direcionando todo seu poder e esforços? Contra os remidos. E é bem ali que haverá livramento. Irmãos, o melhor lugar do mundo que você pode estar é onde o diabo estiver empregando todo o seu esforço, pois ali haverá livramento. É ali que estão a graça e o poder de Jesus Cristo, e Satanás tem que ajuntar todas suas hostes para conseguir ter a mínima influência. Ali é o melhor lugar do mundo para se estar, pois Cristo está ali; Deus está ali; e “meu povo jamais será envergonhado.”

Irmãos, estou demasiadamente feliz por isso. Não tenho como ficar mais feliz por aquilo que o Senhor diz nesse capítulo, pois todo ele é verdade presente, vocês percebem? Cada verso é para hoje, e conta coisas maravilhosas. Ele fará estas coisas maravilhosas; e tudo o que Ele pede de nós é que O busquemos de todo o coração, para que possamos ter tudo. Se o buscarmos com meio coração não poderemos ter tudo. Precisamos buscá-lo de todo o coração para recebermos tudo o que Ele tem. Então façamos o que o Senhor diz, e, “alegrai-vos e regozijai-vos, filhos de Sião”; pois “o Senhor fará grandes coisas” e “jamais seremos envergonhados,” pois haverá livramento “nos remidos” contra os quais o diabo guerreia com todo o seu poder.

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